7 de abr. de 2015

Gratus - Agradecida

Agradecer... demonstrar ou expressar gratidão, reconhecer, retribuir... verbo transitivo direto e indireto, intransitivo, de regência múltipla, irregular... Dentre todas estas definições e classificações, encanta-me a classificação de verbo transitivo direto, pois ele tem com significação retribuir, demonstrar ou expressar gratidão... Por quê? Porque hoje vimos poucas pessoas demonstrando ou expressando, reconhecendo ou retribuindo gratidão. Não entendo por que é tão difícil fazer isso! Será que as pessoas tem medo? Ou será que ainda não se deram conta do quão isso faz o outro sentir-se bem? Não sei... definitivamente não sei!
Também me pergunto por que as pessoas procuram agradecer sem que outros ouçam... parece que se está praticando um crime, ou algo vergonhoso... É hora de se despir deste medo, desta vergonha e colocar em prática este gesto tão bonito, que deixa as pessoas felizes, que incentiva a ousar, a buscar mais... que te estimula a viver com mais vivacidade... Há de se ter razões para agradece... Buda já dizia: “Se você  nunca encontra razões para agradecer, a falha está em você”, porém, é preciso ter vontade, querer realizar tal gesto...
Mas, esses são só alguns devaneios, reflexões a cerca do gesto de agradecer, ou não... pode ser para algumas pessoas, outras podem discordar de algumas coisas, ou de tudo... porém, particularmente, é algo que sinto e acredito... acredito que um agradecer, reconhecer, pode fazer o outro feliz... Pode haver mudanças neste crer e sentir? Claro! É por isso que existem os recomeços... os desafios, o rever conceitos e atitudes...
Por que tudo isso a cerca do verbo agradecer? Porque esta que vos escreve, há muito já se despiu deste “medo”, desta “vergonha” de agradecer... e quando sente vontade e quer agradecer, o faz! Portanto, preciso, sinto vontade, necessidade e quero agradecer aos meus alunos das oitavas séries (81 e 82) da CNEC, que com muito entusiasmo e espírito de equipe, aceitaram participar do Desafio do Conhecimento... Digo-lhes, vocês foram essenciais em todos os momentos... Agradecer aos pais dos alunos, porque apoiaram em todos os sentidos e confiaram... Agradecer aos meus colegas professores, que sempre que solicitado cederam suas aulas e seus olhares para que os desafios fossem desempenhados... Agradecer à direção e coordenação da escola pela credibilidade e por ter me chamado para desempenhar tal função... Agradecer à ItsCool pelo convite... Agradecer ao pessoal do Desafio do Conhecimento pela atenção e presteza... Enfim, agradecer pela oportunidade de reaprender...

Prof. Rosane F. Lazzarin – 15/09/2014

As gentes


As gentes… como são complexas, como são instigantes, como são determinadas, como são determinantes, como são vítimas, como são lutadoras, como são irônicas, como são debochadas, como são desafios, como são desafiantes, como são provocantes, como são provocativas, como são humanas, e como são gente!
E gentes... gentes tem emoção, tem cor, tem textura, tem tatos, tem olhares, tem cheiros... Gentes têm posturas, gentes têm atitudes, gentes tem essência, gentes têm verdades, e tem gentes que se fazem donas das verdades!
As gentes determinadas e determinantes, lutadoras, desafios, desafiantes, provocantes, provocativas, instigantes, humanas, gentes... estas eu as admiro, encanto-me... estas são enigmáticas, são o que queremos ou gostaríamos de ser... estas você olha e gosta, simplesmente gosta... são inteligentes, tão inteligentes que te ganham em um estalar de dedos, porque estas você sente que valem a pena.
As gentes vítimas, debochadas, irônicas, estas eu tolero, porque com estas eu também aprendo. As gentes vítimas são as covardes ou oportunistas, e isso jamais quero ser... as gentes debochadas, estas não sabem ser outra coisa a não ser isso mesmo, debochadas... estas, acredito que são tão infelizes que precisam tripudiar o outro para se sentirem um pouco bem... falsa ilusão! As gentes irônicas, estas a vida nos ensina, obrigatoriamente a identificá-las, destas, eu acho que tenho pena, pois um dia a vida as ensinará, e desta figura ironia, para os que acham que sabem usá-la, eu sou professora! Aliás, as figuras de linguagem sempre me atraíram.
Enfim, gentes tem emoção, estas são especiais; gentes tem cor, estas podem ser escuridão ou luz; gentes têm texturas, estas podem ser ásperas ou delicadas; gentes têm tatos, estas podem ser grosseiras ou suaves; gentes têm olhares, estes podem ser carinhosos, tristes, fuzilantes, questionadores, indignantes, satisfeitos, decepcionantes, felizes, mas acima de tudo, precisam ser verdadeiros; gentes tem cheiros, estes podem ser azedos ou doces; gentes tem posturas, corretas ou dissimuladas, ou oportunas; gentes tem atitudes, certas ou erradas, depende do ponto de vista; gentes tem verdades, falsas ou não, mas o medo se tem das que se julgam donas da verdade; gentes tem essência, e estas dispensam comentários, pois são essenciais.
Nossa! São tantas gentes que por vezes até nos perdemos ou as perdemos... porém, a única coisa que esta que vos escreve não perde é a certeza de que gentes, muito mais do que coisas, devem ser ouvidas, respeitadas, revividas, resgatadas, pois, jamais se joga fora alguém. Desafio? Quem sabe... e ser for, não é assim que a vida é constituída?... de desafios...

Rosane Favaretto Lazzarin – 27/08/2014

Chove chuva...



E eu aqui, em pleno último do ano, sentada na sacada do meu apartamento, lendo “A culpa é das estrelas” e de repente... a chuva escreve hieróglifos na janela... tento decifrá-las... algumas gotículas escorrem lentamente,  outras rapidamente... parece que então competindo entre elas... as que caem lentamente dão-nos a chance da imaginação... as que caem rapidamente competem para chegar o mais rápido possível ao solo tão sedento de água... as que caem lentamente parecem mensagens divinas... que benção! As que caem rapidamente concretizam a benção de molhar o solo... as que caem lentamente, lembram-me lágrimas de emoção, de comoção, de alegria, de agradecimento.... as que caem rapidamente lembram-me lágrimas de desespero, de perda, de triste... mas, lágrima por lágrima, gotícula por gotícula, quando se juntam tem o poder de lavar a alma... esta que queremos sempre leve, limpa, suave...
Mas, voltando à chuva... que delícia!!! De vez em quando, em dias chuvosos como este, me batem desejos... desejos que martelam minha mente, até que de alguma forma eu os realize... Muitas vezes são desejos inusitados... desejos que me encantam... Hoje meu desejo maior foi tomar banho de chuva... sim! Relembrar o tempo de criança... Não só de criança, de bons momentos de “adulto” também... e como desejos são para serem realizados... paro aqui e vou tomar meu banho de chuva...
Delícia, delícia, delícia... aquelas gotículas caindo sobre meu cabelo, rosto, braços... aos poucos transpassando minha roupa e alcançando também meu corpo! Que sensação! Quantas lembranças... Lembro-me que quando minha mãe dizia: hoje vocês podem tomar banho de chuva, nossa alegria era tamanha que até nos esquecíamos dos poucos brinquedos que tínhamos e nos deliciávamos com cada pingo que caía em nosso corpo... Nossa alegria era completa quando após a chuva vinha o arco-íris... cheio de mitos e mistérios... Ah! Que saudade deste tempo que não volta mais...
Saudade... memórias... mas, se a memória é nosso alimento, a imaginação é nossa magia. Uma imaginação vale mais que mil memórias. Racionaliza desejos, apagam idiossincrasias, tira da cartola a ilusão que o mundo nos pertence... Ah, a chuva! Ela e as lembranças... E esta que vos escreve, cheia de memórias, de lembranças, de desejos, vai ali, no 2014, realizar mais alguns desejos...

                                               Por: Rosane F. Lazzarin – 31/12/2013

29 de mai. de 2014

Tons de escolhas...



Hoje o sábado acordou frio… parecia cinzento... mas, de repente, o sol também acordou e trouxe mais vida ao sábado. Aquele que parecia ser um dia só frio e cinzento tornou-se um dia não só frio, mas também cheio de luz, aquecido pelo astro rei, que o deixou com mais vida, mais aconchegante... Assim como a primeira impressão deste sábado, também somos nós por diversos dias, semanas, meses e até anos... Acordamos acinzentados, frios, mas, de repente, alguém resolve fazer o papel do astro rei, e com sua luz aquece o nosso dia.
Hoje, o sábado de muitos começou assim, frio e acinzentado por inúmeros motivos, porém, no decorrer da manhã, vários tons lhe foram apresentados e cada qual escolheu o tom que melhor cabia na pintura do seu momento, do que dia, do seu sentir... Ações, sorrisos, palavras, aquecem o nosso dia, desde que permitimos que este calor nos acolha...
E por falar em palavras, há quem tem o dos de usá-las de forma tão harmoniosa que parecem notas musicas a nos embalar, dando-nos a impressão que nos pegam no colo e nos cuidam... Como é bom nos sentirmos cuidados! Mas, para que tudo isso possa acontecer precisamos nos permitir sentir, precisamos libertar o nosso eu raptado por algum motivo, por alguma razão. Precisamos cobrar menos de nós mesmos, porque quem cobra demais de si mesmo, precisa de muito para sentir pouco. Precisamos doar, mas sempre diminuindo a expectativa do retorno, afinal, não podemos exigir o que os outros não podem dar; que podemos contribuir com os outros e para a felicidade destes e que ninguém muda ninguém.
É, precisamos... mas, como fazer? Há quem diga que não se deixando influenciar pela energia negativa do outro... há quem diga que trabalhando nossa mente, muitas vezes tão imprevisível, tão complexa... Mente esta, considera um cofre, porém, nenhuma é impenetrável... O que acontece, muitas vezes, é que usamos chaves erradas para chegarmos até ela, e, quando usamos as chaves erradas, tornamo-nos agiotas de nossas emoções, e passamos a não sentir: matamos a dor cálida, a angústia; passamos a não mais nos emocionarmos, chorarmos, e assim, as lágrimas não choradas são mais doloridas do que as choradas; passamos a julgar mais e abraçar menos, quando devíamos julgar menos e abraçar mais...
Complicado esta chave errada não é mesmo? Sim porque se não encontramos a chave certa, corremos o risco de machucarmos as pessoas que nos são mais caras. E, ao encontrarmos a chave certa, precisamos nos permitir a passar pelo processo da metamorfose, pois até as flores surgem no inverno e desabrocham na primavera... Precisamos estabelecer um caso de amor com a qualidade de vida... Por quê? Porque só a vida pensa...
Então, se só a vida pensa, o que estamos fazendo por nós mesmos? Que valor estamos nos dando? Precisamos nos livrar dos bloqueios, melhorar a autoestima, sair da zona de conforto, driblar o medo de mudar, e acima de tudo, precisamos querer e acreditar, porque se não quisermos, ninguém fará por nós... Agora, se me derem licença, vou ali tentar encontrar a chave certa para tentar enfrentar meus medos e melhorar minha qualidade de vida, porque eu sou uma daquelas pessoas que não consegue demonstrar sentimentos, mas sou cheia deles...

Por: Rosane Favaretto Lazzarin – 23/05/2014

Guardados da vida...



Hoje foi dia de arrumar guarda-roupa... guarda-roupa da alma... guarda-roupa do coração... guarda-roupa da vida. E se tem coisa que protelamos é arrumar guarda-roupas... da vida então, nem se fala. Por que será? Talvez porque sabemos que encontraremos tantos guardados, que nem nós mesmos imaginávamos que tivesse... Guardados  bons, guardados nem tão bons assim... guardados saudosos... guardados preciosos... E só mexemos  nestes guardados quando precisamos de algo ou quando precisamos deixar que algo se vá.
Tudo bem se temos que deixar partir as coisas boas, dizem que outras melhores virão... melhor ainda se conseguirmos deixar partir as coisas não tão boas assim, afinal, com a partida destas, nossa alma fica mais leve, mais cheia de vida... quando falamos dos guardados saudosos, estes ficam escondidinhos no nosso coração e de vez em quando nos fazem sorrir... agora, quando temos que deixar partir, ou a vida nos intima a deixarmos partir as coisas preciosas, sentimo-nos meio vazios, meio abandonados, meio sem rumo...
Neste momento, a vontade que temos é de fecharmos as portas do guarda-roupas a sete chaves e jogá-las fora...mas, aí vem a consciência pedindo licença para a emoção e nos alerta dizendo que  um dia tudo parte, todos partimos... e a forma como nos desapegamos do que nos é precioso é que vai determinar como direcionaremos nossa vida, como cuidaremos de nosso guarda-roupas, se e como recolocaremos outros guardados preciosos nele, para só então recomeçar e permitirmos que o guarda-roupa da alma, do coração, se encha novamente de vida...
Metáforas... ah, as metáforas, como são eficientes quando a dor não cabe mais no peito e escorre pelos olhos... sinal que que inicia-se a limpeza da alma... princípio da busca pela vida... Agora se me derem licença, vou ali ver se consigo um guardado precioso...
Por: Rosane Favaretto Lazzarin – 22/04/2014

Palavras.. uma ciranda de significados!


Palavras... uma ciranda de significados, um dos maiores poderes que nos temos..
Palavras podem levantar ou derrubar...
Palavras podem agradar ou desagradar...
Palavras emocionam ou irritam...
Palavras podem aproximar, trazer para perto ou afastar...
Palavras podem ser mel ou fel, tanto para quem ouve como para quem fala...
Palavras que em um instante exprime paixão, amor, ternura, admiração, respeito... no outro exprime raiva, rancor, ressentimento, inveja.
Palavras podem estar respaldadas na verdade ou esconder a mesma verdade...
Palavras nunca vêm sozinhas... palavras não são independentes... palavras estão sempre atreladas ao tom de voz, a emoção, a respiração, ao ritmo, ao olhar, aos gestos...
Palavras quando usadas em sintonia, vem carregadas de poder... tanto para o bem quanto para o mal...
Palavra é uma fonte de energia fortíssima...
E neste ritmo de ciranda, temos as pessoas...
Pessoas que se escondem atrás das palavras, que enganam aos outros e muitas vezes até a si próprias... Essas são pessoas que costumo dizer que se conhecem mal, que se tornam presas fáceis delas próprias e dos outros.
Para estas pessoas, as palavras perdem o sentido, pois autoconhecer-se tem a ver com olhar para dentro, com o silêncio, com a coragem de lidar com emoções... é uma conquista!
Então, esta que vos escreve, que conhece o poder das palavras, mas que nem sempre se dá conta deste poder, lhes pergunta: por que se faz tanto uso das palavras para apontar as falhas  e tão pouco para enaltecer?
Quantas vezes alguém se mostra inteligente ou tem uma atitude digna de um elogio, você sabe disso, e este elogio fica apenas no seu pensamento?
Palavras foram feitas para elogiar.... tem coisa melhor do que receber um elogio verdadeiro? É um afago no coração de quem recebe quanto de quem elogia, porque o retorno é imediato por meio do sorriso, do olhar, da alegria.
Não economize palavras para elogiar... elogie sem medo de fazer o outro feliz...
Se você não sabe elogiar, tampouco use o poder da palavra para falar mal, neste caso o silêncio muitas vezes é o som mais agradável que se pode ouvir. Usar o poder da palavra para falar mal é o retrato de quem não tem vida própria... é covardia.
E voltando a ciranda das palavras... elas são parábolas, conjunto de letras, sons de uma língua, representação do pensamento humano, constituem uma unidade da linguagem humana, de carinho... palavras ferem, tem cheiro, acariciam, machucam, acalentam...
Enfim, as palavras precisam urgentemente ser cuidadas, pois tem poder... tem forma, textura e som... Agora, se me derem licença, dou-lhes a palavras e vou aí procurar a melhor forma de usá-las.

Por: Rosane Favaretto Lazzarin – 22/11/2013

15 de nov. de 2013

Nostalgia...



Tenho saudade… tenho saudade de mim... saudade da gente que tenha saudade de mim… saudade de gente que mostre esta saudade… saudade de gente que queira matar a saudade ficando junto de mim… saudade de gente que me chame para matar a saudade… saudade de gente que demonstre saudade… tenho saudade de gente que lembre das pessoas porque elas existem simplesmente, não porque estão precisando... tenho saudade de gente que não ignora... tenho saudade de gente que saiba respeitar a individualidade, o jeito próprio de ser... tenho saudade de gente não esquece o outro... tenho saudade de muitas gente que passou pela minha vida, que ainda gostaria de ter por perto... tenho saudade de gente espontânea... tenho saudade de gente que perceba quando o outro precisa de um colo, de um abraço... tenho saudade de gente que se faz presente... tenho saudade de quem está longe, de quem está perto, de que partiu desta vida... tenho saudade de tanta coisa, que tanta saudade não cabe na palavra saudade... enfim, tenho saudade de gente que sinta saudade...

Por: Rosane Favaretto Lazzarin – 15/11/2013

24 de jul. de 2013

O Controle da vida ou a vida no controle...

    


Inquietação... sensação de mal-estar... vontade de ficar eu e eu e minha casa, mas o dever chama, e se chama, preciso me agilizar, organizar minhas coisas e colocar o pé na estrada... Enquanto arrumava minha mala, a cada roupa que colocava nela, meu coração acelerava... Que sentimento estranho! Isso nunca me havia acontecido! O que significa? Sim, meu coração já bateu acelerado de euforia antes de uma viagem, mas de tamanha insegurança, nunca!

Enquanto observava a paisagem, ouvia uma boa música, ficava de olho no velocímetro e trocava algumas palavras com o motorista, pensava também na vida e no quanto não temos controle sobre ela. É isso mesmo! Podemos até organizá-la para que possamos vivê-la da melhor maneira para termos a sensação de controle, mas controlá-la não. Não mesmo! Falo isso porque em questão de segundos podemos perdê-la, ou podemos ver outra pessoa, ou outras perdê-la. Sim, podemos perdê-la com a mesma rapidez de um raio, ou de uma freiada, ou de um estilhaçar de vidros, ou uma forte batida, ou tudo isso junto, ou no mais absoluto silêncio... é, no silêncio...

Dizem que o sábio silencia, dizem que o silêncio diz mais do que mil palavras... e diz mesmo! Acreditam que ele faz doer? Dói, e dói muito!

Hoje quando saí de casa, silenciosamente, pedi aos anjos que me protegesse em mais uma viagem a trabalho, e foi o que aconteceu, mas esqueci de pedir que protegessem também aos outros. Ato egoísta? Não sei! Só sei que depois de ver dois acidentes com 6 mortes e 37 feridos, se acentuou aquela sensação de mal-estar que falei inicialmente, misturada com um vazio, com um sentimento estranho... e o silêncio se instalou novamente, e este agora misturado com a impotência de não poder fazer nada por aquelas pessoas, e as lágrimas que insistiam em pular para fora dos meus olhos, sem nenhum controle!

O ar estava pesado, as pessoas feridas, todos os outros pareciam zumbis, sem saber o que fazer! De repente apareceram os anjos da guarda: bombeiros, enfermeiros, médicos, policiais e pessoas solícitas que ajudavam tentando salvar mais uma vida. As horas iam passando, aliás, já tinham se passado 5h, e o cenário de horror ia se desmontando, se desfazendo... quisera eu que este meu sentimento também fosse se acalmando ao mesmo tempo que a cena ia se desfazendo. Mas não! Ele ficava mais silencioso, mais doído. E como se não bastasse esta mistura de sentimentos, ainda tinha o cheiro. Sim, o cheiro de óleo, o cheiro de combustível, e o pior de todos os cheiros... o cheiro de sangue, de ser humano esmagado... Meu corpo desfalece...

Agora eu me pergunto: o que é a vida? Ou, o que somos nós diante das peripécias da vida? Cadê o controle que utopicamente achamos que temos? Não sei, ao sei, não sei... Difícil tirar estas cenas da mente, difícil esquecer este dia...
O que era para ser só mais uma viagem a trabalho, se transformou em uma cena de horror, de dor, de reflexão... e esta que vos escreve, mais do que nunca agradece a proteção recebida e segue com a certeza de que deve sim deixar a mesquinharia, os mesquinhos, e as mágoas de lado e perdoar, e viver... viver... viver... enquanto a vida deixar!
 
Por: Rosane Favaretto Lazzarin

22 de jul. de 2013

Insônia..




É madrugada... uma réstia de luz da lua ou elétrica, timidamente, insiste em acabar com a escuridão do meu quarto e instiga ainda mais meu cérebro a trabalhar... Ideias vão e vem, são substituídas umas pelas outras com uma velocidade inacreditável. Por que elas não se acomodam? Por que não me deixam em paz? Por que tanta necessidade de se fazer presente? Não sabem elas que precisam de corpo e mente descansados para que possam se concretizar? Socorro, onde eu me desligo?

É inacreditável como o ser humano reage diante das angústias que a vida lhes impõe. É incrível como tem necessidade de pensar e repensar, ver e rever tudo que passou... Como explicar este ato inconsciente, por vezes, de rever o que já passou, se o passado não resolve o futuro? Uns podem dizer que as coisas foram mal resolvidas, outros que pode ser a consciência falando mais alto... Eu prefiro acreditar que seja o subconsciente tentando nos alertar que não devemos voltar a tomar as mesmas atitudes, agir da mesma forma, se omitir diante das coisas, amar do mesmo jeito, fugir dos sentimentos, da vida...

É fácil se transformar em um casulo, difícil é se transformar em borboleta e se permitir viver de verdade, livre... talvez seja este o motivo desta minha insônia: a dor forçada da saída do casulo, para se transformar em borboleta para viver a vida ainda mais intensamente, se permitindo até o impossível, pois é ele que nos dá ainda mais forças para conquistarmos o que almejamos... Enquanto todos estes pensamentos borbulham em minha mente, a vida segue, com os ponteiros do relógio avançando, assustadoramente, sem se preocupar com meu bem-estar, às 4h30 da madrugada de quinta-feira do dia 18/07/2013... e esta que vos escreve, segue também em um novo voo, desta vez, quem sabe em busca do impossível... mas, o que é mesmo o impossível?
Por: Rosane Favaretto Lazzarin

23 de ago. de 2012

A efemeridade do tempo...


   
    Tempo, tempo, tempo, tempo, vou lhe fazer um pedido… Tempo… tudo gira em torno dele. O tempo pode ser obsoleto, astronômico, compartilhado, composto, de resolução, de vida, vôo, integral, real, relativo, fabuloso, sideral, simples, verdadeiro, universal! Há quem diga que há um só tempo. Outros preferem dar tempo ao tempo, ou desabar no tempo. Há os que falam de tempo em tempo, em dois tempos, em tempo recorde, o tempo todo, ou fecham o tempo. Bom mesmo é perceber que alguns preferem ganhar tempo, lutar contra o tempo. Outros neste meio tempo matam o tempo e acabam por perder o tempo...
    Já perceberam o quanto precisamos dele? Ou o quanto sofremos quando nos pedem um tempo? Quisera eu que o tempo fosse tão precioso, prazeroso como é para os amantes. Porém para os que resolvem dar um tempo, ele já não é mais visto como prazeroso e sim como angustiante, e é neste momento que muitas perguntas vem a mente: será que não me quer mais? Ou no trabalho, quando nos dão um tempo de experiência, parece que o tempo torna-se mais longo, mais demorado. Isso se dá pelo fato de estarmos ansiosos para sabermos se somos aptos ou não para ocuparmos aquela função. Para quem precisa tomar uma decisão, todo o tempo do mundo do mundo é pouco. E que ironia, só com o tempo saberemos se a decisão foi assertiva ou não. Se foi assertiva, com o tempo vamos melhorando, aprimorando, tomando gosto. Se não, precisamos de mais tempo ainda para reorganizarmos nossa vida, para recomeçarmos.
    E o que falar dos que gostariam de um tempo a mais com quem perdeu? Seja um amor, um amigo, ou até mesmo quem se foi para nunca mais voltar. Para quem perdeu um amor, fica o vazio, fica a dor no coração, para estes o tempo obsoleto. Para quem perdeu um amigo, fica a sensação de que não pode mais confiar em ninguém, para estes o tempo era simples. Para quem perdeu alguém que nunca mais voltará, aí se instala a dor, a saudade, para estes o tempo é real, estes gostariam de ganhar tempo, de lutar contra o tempo. Estes também ficam revoltados com quem matam o tempo e acabam por perder um tempo considerado precioso, mas somente quando se perdem...
    Ah! o tempo... esta coisa efêmera... como queria que ele fosse eterno para algumas coisas... como queria que fosse como as fotografias que podemos eternizar momentos marcantes com pessoas que amamos, como seria bom se assim como eternizamos nas fotografia, pudéssemos eternizá-las também em vida. Certo, você pode estar pensando, eternizamo-las no nosso coração... mas a dor da ausência, nenhum tempo consegue curar, ele só acomoda... Agora, se me derem licença, vou ali acomodar a minha dor porque o tempo não para e a vida... a vida precisa ser vivida, afinal ela e o tempo são relativos.
Por: Rosane Favaretto Lazzarin - Julho/2012