24 de jul. de 2013

O Controle da vida ou a vida no controle...

    


Inquietação... sensação de mal-estar... vontade de ficar eu e eu e minha casa, mas o dever chama, e se chama, preciso me agilizar, organizar minhas coisas e colocar o pé na estrada... Enquanto arrumava minha mala, a cada roupa que colocava nela, meu coração acelerava... Que sentimento estranho! Isso nunca me havia acontecido! O que significa? Sim, meu coração já bateu acelerado de euforia antes de uma viagem, mas de tamanha insegurança, nunca!

Enquanto observava a paisagem, ouvia uma boa música, ficava de olho no velocímetro e trocava algumas palavras com o motorista, pensava também na vida e no quanto não temos controle sobre ela. É isso mesmo! Podemos até organizá-la para que possamos vivê-la da melhor maneira para termos a sensação de controle, mas controlá-la não. Não mesmo! Falo isso porque em questão de segundos podemos perdê-la, ou podemos ver outra pessoa, ou outras perdê-la. Sim, podemos perdê-la com a mesma rapidez de um raio, ou de uma freiada, ou de um estilhaçar de vidros, ou uma forte batida, ou tudo isso junto, ou no mais absoluto silêncio... é, no silêncio...

Dizem que o sábio silencia, dizem que o silêncio diz mais do que mil palavras... e diz mesmo! Acreditam que ele faz doer? Dói, e dói muito!

Hoje quando saí de casa, silenciosamente, pedi aos anjos que me protegesse em mais uma viagem a trabalho, e foi o que aconteceu, mas esqueci de pedir que protegessem também aos outros. Ato egoísta? Não sei! Só sei que depois de ver dois acidentes com 6 mortes e 37 feridos, se acentuou aquela sensação de mal-estar que falei inicialmente, misturada com um vazio, com um sentimento estranho... e o silêncio se instalou novamente, e este agora misturado com a impotência de não poder fazer nada por aquelas pessoas, e as lágrimas que insistiam em pular para fora dos meus olhos, sem nenhum controle!

O ar estava pesado, as pessoas feridas, todos os outros pareciam zumbis, sem saber o que fazer! De repente apareceram os anjos da guarda: bombeiros, enfermeiros, médicos, policiais e pessoas solícitas que ajudavam tentando salvar mais uma vida. As horas iam passando, aliás, já tinham se passado 5h, e o cenário de horror ia se desmontando, se desfazendo... quisera eu que este meu sentimento também fosse se acalmando ao mesmo tempo que a cena ia se desfazendo. Mas não! Ele ficava mais silencioso, mais doído. E como se não bastasse esta mistura de sentimentos, ainda tinha o cheiro. Sim, o cheiro de óleo, o cheiro de combustível, e o pior de todos os cheiros... o cheiro de sangue, de ser humano esmagado... Meu corpo desfalece...

Agora eu me pergunto: o que é a vida? Ou, o que somos nós diante das peripécias da vida? Cadê o controle que utopicamente achamos que temos? Não sei, ao sei, não sei... Difícil tirar estas cenas da mente, difícil esquecer este dia...
O que era para ser só mais uma viagem a trabalho, se transformou em uma cena de horror, de dor, de reflexão... e esta que vos escreve, mais do que nunca agradece a proteção recebida e segue com a certeza de que deve sim deixar a mesquinharia, os mesquinhos, e as mágoas de lado e perdoar, e viver... viver... viver... enquanto a vida deixar!
 
Por: Rosane Favaretto Lazzarin

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