15 de nov. de 2013

Nostalgia...



Tenho saudade… tenho saudade de mim... saudade da gente que tenha saudade de mim… saudade de gente que mostre esta saudade… saudade de gente que queira matar a saudade ficando junto de mim… saudade de gente que me chame para matar a saudade… saudade de gente que demonstre saudade… tenho saudade de gente que lembre das pessoas porque elas existem simplesmente, não porque estão precisando... tenho saudade de gente que não ignora... tenho saudade de gente que saiba respeitar a individualidade, o jeito próprio de ser... tenho saudade de gente não esquece o outro... tenho saudade de muitas gente que passou pela minha vida, que ainda gostaria de ter por perto... tenho saudade de gente espontânea... tenho saudade de gente que perceba quando o outro precisa de um colo, de um abraço... tenho saudade de gente que se faz presente... tenho saudade de quem está longe, de quem está perto, de que partiu desta vida... tenho saudade de tanta coisa, que tanta saudade não cabe na palavra saudade... enfim, tenho saudade de gente que sinta saudade...

Por: Rosane Favaretto Lazzarin – 15/11/2013

24 de jul. de 2013

O Controle da vida ou a vida no controle...

    


Inquietação... sensação de mal-estar... vontade de ficar eu e eu e minha casa, mas o dever chama, e se chama, preciso me agilizar, organizar minhas coisas e colocar o pé na estrada... Enquanto arrumava minha mala, a cada roupa que colocava nela, meu coração acelerava... Que sentimento estranho! Isso nunca me havia acontecido! O que significa? Sim, meu coração já bateu acelerado de euforia antes de uma viagem, mas de tamanha insegurança, nunca!

Enquanto observava a paisagem, ouvia uma boa música, ficava de olho no velocímetro e trocava algumas palavras com o motorista, pensava também na vida e no quanto não temos controle sobre ela. É isso mesmo! Podemos até organizá-la para que possamos vivê-la da melhor maneira para termos a sensação de controle, mas controlá-la não. Não mesmo! Falo isso porque em questão de segundos podemos perdê-la, ou podemos ver outra pessoa, ou outras perdê-la. Sim, podemos perdê-la com a mesma rapidez de um raio, ou de uma freiada, ou de um estilhaçar de vidros, ou uma forte batida, ou tudo isso junto, ou no mais absoluto silêncio... é, no silêncio...

Dizem que o sábio silencia, dizem que o silêncio diz mais do que mil palavras... e diz mesmo! Acreditam que ele faz doer? Dói, e dói muito!

Hoje quando saí de casa, silenciosamente, pedi aos anjos que me protegesse em mais uma viagem a trabalho, e foi o que aconteceu, mas esqueci de pedir que protegessem também aos outros. Ato egoísta? Não sei! Só sei que depois de ver dois acidentes com 6 mortes e 37 feridos, se acentuou aquela sensação de mal-estar que falei inicialmente, misturada com um vazio, com um sentimento estranho... e o silêncio se instalou novamente, e este agora misturado com a impotência de não poder fazer nada por aquelas pessoas, e as lágrimas que insistiam em pular para fora dos meus olhos, sem nenhum controle!

O ar estava pesado, as pessoas feridas, todos os outros pareciam zumbis, sem saber o que fazer! De repente apareceram os anjos da guarda: bombeiros, enfermeiros, médicos, policiais e pessoas solícitas que ajudavam tentando salvar mais uma vida. As horas iam passando, aliás, já tinham se passado 5h, e o cenário de horror ia se desmontando, se desfazendo... quisera eu que este meu sentimento também fosse se acalmando ao mesmo tempo que a cena ia se desfazendo. Mas não! Ele ficava mais silencioso, mais doído. E como se não bastasse esta mistura de sentimentos, ainda tinha o cheiro. Sim, o cheiro de óleo, o cheiro de combustível, e o pior de todos os cheiros... o cheiro de sangue, de ser humano esmagado... Meu corpo desfalece...

Agora eu me pergunto: o que é a vida? Ou, o que somos nós diante das peripécias da vida? Cadê o controle que utopicamente achamos que temos? Não sei, ao sei, não sei... Difícil tirar estas cenas da mente, difícil esquecer este dia...
O que era para ser só mais uma viagem a trabalho, se transformou em uma cena de horror, de dor, de reflexão... e esta que vos escreve, mais do que nunca agradece a proteção recebida e segue com a certeza de que deve sim deixar a mesquinharia, os mesquinhos, e as mágoas de lado e perdoar, e viver... viver... viver... enquanto a vida deixar!
 
Por: Rosane Favaretto Lazzarin

22 de jul. de 2013

Insônia..




É madrugada... uma réstia de luz da lua ou elétrica, timidamente, insiste em acabar com a escuridão do meu quarto e instiga ainda mais meu cérebro a trabalhar... Ideias vão e vem, são substituídas umas pelas outras com uma velocidade inacreditável. Por que elas não se acomodam? Por que não me deixam em paz? Por que tanta necessidade de se fazer presente? Não sabem elas que precisam de corpo e mente descansados para que possam se concretizar? Socorro, onde eu me desligo?

É inacreditável como o ser humano reage diante das angústias que a vida lhes impõe. É incrível como tem necessidade de pensar e repensar, ver e rever tudo que passou... Como explicar este ato inconsciente, por vezes, de rever o que já passou, se o passado não resolve o futuro? Uns podem dizer que as coisas foram mal resolvidas, outros que pode ser a consciência falando mais alto... Eu prefiro acreditar que seja o subconsciente tentando nos alertar que não devemos voltar a tomar as mesmas atitudes, agir da mesma forma, se omitir diante das coisas, amar do mesmo jeito, fugir dos sentimentos, da vida...

É fácil se transformar em um casulo, difícil é se transformar em borboleta e se permitir viver de verdade, livre... talvez seja este o motivo desta minha insônia: a dor forçada da saída do casulo, para se transformar em borboleta para viver a vida ainda mais intensamente, se permitindo até o impossível, pois é ele que nos dá ainda mais forças para conquistarmos o que almejamos... Enquanto todos estes pensamentos borbulham em minha mente, a vida segue, com os ponteiros do relógio avançando, assustadoramente, sem se preocupar com meu bem-estar, às 4h30 da madrugada de quinta-feira do dia 18/07/2013... e esta que vos escreve, segue também em um novo voo, desta vez, quem sabe em busca do impossível... mas, o que é mesmo o impossível?
Por: Rosane Favaretto Lazzarin

23 de ago. de 2012

A efemeridade do tempo...


   
    Tempo, tempo, tempo, tempo, vou lhe fazer um pedido… Tempo… tudo gira em torno dele. O tempo pode ser obsoleto, astronômico, compartilhado, composto, de resolução, de vida, vôo, integral, real, relativo, fabuloso, sideral, simples, verdadeiro, universal! Há quem diga que há um só tempo. Outros preferem dar tempo ao tempo, ou desabar no tempo. Há os que falam de tempo em tempo, em dois tempos, em tempo recorde, o tempo todo, ou fecham o tempo. Bom mesmo é perceber que alguns preferem ganhar tempo, lutar contra o tempo. Outros neste meio tempo matam o tempo e acabam por perder o tempo...
    Já perceberam o quanto precisamos dele? Ou o quanto sofremos quando nos pedem um tempo? Quisera eu que o tempo fosse tão precioso, prazeroso como é para os amantes. Porém para os que resolvem dar um tempo, ele já não é mais visto como prazeroso e sim como angustiante, e é neste momento que muitas perguntas vem a mente: será que não me quer mais? Ou no trabalho, quando nos dão um tempo de experiência, parece que o tempo torna-se mais longo, mais demorado. Isso se dá pelo fato de estarmos ansiosos para sabermos se somos aptos ou não para ocuparmos aquela função. Para quem precisa tomar uma decisão, todo o tempo do mundo do mundo é pouco. E que ironia, só com o tempo saberemos se a decisão foi assertiva ou não. Se foi assertiva, com o tempo vamos melhorando, aprimorando, tomando gosto. Se não, precisamos de mais tempo ainda para reorganizarmos nossa vida, para recomeçarmos.
    E o que falar dos que gostariam de um tempo a mais com quem perdeu? Seja um amor, um amigo, ou até mesmo quem se foi para nunca mais voltar. Para quem perdeu um amor, fica o vazio, fica a dor no coração, para estes o tempo obsoleto. Para quem perdeu um amigo, fica a sensação de que não pode mais confiar em ninguém, para estes o tempo era simples. Para quem perdeu alguém que nunca mais voltará, aí se instala a dor, a saudade, para estes o tempo é real, estes gostariam de ganhar tempo, de lutar contra o tempo. Estes também ficam revoltados com quem matam o tempo e acabam por perder um tempo considerado precioso, mas somente quando se perdem...
    Ah! o tempo... esta coisa efêmera... como queria que ele fosse eterno para algumas coisas... como queria que fosse como as fotografias que podemos eternizar momentos marcantes com pessoas que amamos, como seria bom se assim como eternizamos nas fotografia, pudéssemos eternizá-las também em vida. Certo, você pode estar pensando, eternizamo-las no nosso coração... mas a dor da ausência, nenhum tempo consegue curar, ele só acomoda... Agora, se me derem licença, vou ali acomodar a minha dor porque o tempo não para e a vida... a vida precisa ser vivida, afinal ela e o tempo são relativos.
Por: Rosane Favaretto Lazzarin - Julho/2012

11 de mai. de 2012

Sensações...


     
    Hoje eu estou nas nuvens... mas não no sentido figurado, literalmente nas nuvens... entre as nuvens, se é que me entendem...
   O voo decolou exatamente às 13h05.. a sensação de desconforto é grande, o medo faz suar frio. Também pudera, alguém já parou para pensar na velocidade atingida pelo avião ao decolar? Aposto que poucos, pois o sentimento que toma conta neste momento é de pânico. Calma, não estou generalizando. Falo de exatamente 85% dos usuário de aeronaves. Os outros 15% curtem, sentem adrenalina.
   Mas, voltemos as nuvens... como disse, não no sentido figurado, voltemos aos exato momento em que estávamos literalmente entre elas. Nuvens que parecem algodão... ah, doce de algodão!!! E doce de algodão lembra a infância. Vejam só a quantas lembranças boas nos traz as nuvens. Quando crianças, quantos de nós ficávamos deitados olhando para o céu admirando as inúmeras formas das nuvens. Quantos de nós sonhávamos com a possibilidade de chegar até elas... de tocá-las. Quantos de nós jamais imaginava um dia poder estar sobrevoando-as, e vendo os mais admiráveis formatos, pertinho delas. Ah, que voo inesquecível. Não pelo fato de estar a bordo, mas sim, pelo fato de estar entre as tão admiradas nuvens...
    Quando penso que a única coisa que me separa delas é o pequeno vidro da janela do avião, a emoção toma conta do meu ser, e as lembranças de infância invadem a minha mente. As tardes passadas com os amigos olhando-as, tentando decifrar suas mensagens, os seus formatos... Ah, os amigos de infância... Que saudade!!! As amizades inocentes, verdadeiras. Por onde andam vocês? Foram tantas travessuras... Ah, lembram das nuvens carregadas? O medo era grande, pois sabíamos que delas podíamos esperar desde o espetáculo da chuva até o horror dos raios e trovões.
    Nuvens, quando se está entre elas, um espetáculo a parte. Alguns anos depois, cá estou eu, só depois de muitos voos tensos, é que consigo relaxar e então me permito admirá-las de verdade. Rapidamente, todas aquelas imagens de infância, sonhando em estar perto delas, e naquele momento, achando que era impossível, invadem a memória e então me emociono. Certo, para muitos pode parecer bobagem, mas para quem nem imaginava um dia chegar perto de um avião, muito menos estar dentro dele, agora o estava, e mais, estava também entre as nuvens.
    Hora de descer das nuvens... a viagem está acabando. O comandante avisa para apetar os cintos. Pela primeira vez o sentimento de horror não toma conta de mim, ao invés dele, sinto-me feliz, com muitas recordações na memória... ufa! em terra, mas nas nuvens...
Por: Rosane Favaretto Lazzarin – 11/05/2012 – Curso Mídias

10 de jan. de 2012

O corpo e suas linguagens...



Corpos... oh, que bela crônica daria os corpos, sim porque os temos de todas as formas, de todos os jeitos.. corpos  pequenos, corpos grandes... corpos esguios... E corpos reagem... em determinados momentos o medo pode torná-los frios, já em outros, o desejo torná-los quente... Ah! e podem estar molhados... pela chuva, pelo banho, ou até mesmo pelo suor...  suor de trabalho ou de desejo...
Oh, o desejo! De onde ele vem? Vem não sei de onde, e quando aflorado faz-nos perder a sensatez! Que bom, pois precisamos da insensatez desses momentos, destes gestos espontâneos conduzidos unicamente pelo instinto, pelo desejo... que se resume a uma alquimia de sentidos. E esses sentidos são instigados com os olhares se que cruzam, o coração que dispara, a mãos que se tocam e os lábios que despertam arrepios. E os corpos? Os corpos vão à busca do compasso e da coreografia perfeita. Porque os corpos falam, e falam com uma linguagem própria... E não importa se eles são desconhecidos... pois o desconhecido torna-se um enigma, e este instiga ainda mais... e, em meio a cumplicidade vão encontrando o tom, dando o ritmo perfeito a coreografia.
Ah, voltemos aos corpos, que são o mote desta crônica... Corpos transpiram, suspiram, que transparecem desejos muitas vezes proibidos... corpos que dizem coisas que não ouvimos, mas entendemos... Corpos que se tocam, que se abraçam, que se conhecem de norte a sul... corpos com músculos que se incendeiam... corpos que dançam... o ritmo, o compasso, a coreografia? Cabe ao calor do momento... Qual a linguagem do teu corpo? Não sabe? Pois eu lhe digo: deixa o teu corpo entender-se com outro corpo, porque os corpos se entendem... e você, entenderá exatamente o que estou tentando dizer!
Por: Rosane Favaretto Lazzarin – 10/01/2012

9 de jan. de 2012

Um lugar, uma saudade e muitas lembranças...


     O céu com poucas nuvens, porém o suficiente para ficar observando que forma ela tem, que bicho parecia, assim como fazíamos quando criança. O pé de guabijú cresceu. E nele já se pode pendurar um balanço que faz a alegria de uma netinha ou uma rede, que faz a alegria dela e também dos filhos. Ah e sem contar que faz uma sombra maravilhosa, onde os pássaros pousam e entoam lindas canções, e a família se reúne para tomar um chimarrão ou até mesmo conversar... e junto a tudo isso, deitada aqui nesta rede, muitas recordações...
      Explico-lhes: hoje estou na casa de meu irmão, que já foi minha, de minha mãe... um lugar lindo, calmo, bem cuidado e cheio, cheio de maravilhosas recordações. Foi neste lugar que cresci, que vivi, que me fez ser gente grande...
      Lugar com cheiro de mãe, com jeito de mãe... e se com cheiro e jeito de mãe, então, um lugar que também cheira a amor, e muita, muita saudade. Pois é, saudade dela que se foi, mas que deixou muitos ensinamentos, que deixou muitos exemplos. E é por tudo isso que hoje também é um dia nostálgico.
      Nostálgico porque ao deitar na rede a sombra destas árvores, lembro-me do quando foi bom ser criança neste lugar. Lembro-me do bolo de amendoim... e ao lembrar dele, parece que o cheiro já está toma conta das narinas, chegando a dar água na boca, aumentando ainda mais a saudade. E por falar em água na boca, a mesma sensação temos ao lembrarmos-nos das comidas, que delícia! Todas saborosas! Hoje nos perguntamos que tempero era aquele e constatamos que era o mais nobre de todos: o amor. Lembro-me do sorriso e os braços abertos para receber a todos com muito carinho. Lembro-me de sua voz dizendo: que bom que vocês vieram, e esta soa como música aos meus ouvidos... São tantas lembranças que estas parecem querer saltar sei lá de onde e invadir novamente este tempo... e tornarem-se realidade novamente, de tão fortes que são, e tamanha é a saudade sentida....
      São tantas recordações que chegam até fugirem da memória momentaneamente para que eu não as prenda no papel, pois parecem querer ficarem livres por aí, para em outro momento, como este, retornarem a nossa memória, para que recordemos tudo que passamos juntas, e não as esqueçamos... Não se preocupe, jamais esqueceremos, por mais que o tempo passe...
      Somente o tempo pode acomodar esta saudade, sim acomodar e não fazer esquecer quando uma mãe vai embora para viver sei lá onde, sei lá com quem, e sei lá por quê... Esse mesmo tempo que é injusto por tirar o que amamos passa a ser justo quando recordamos dos bons momentos que nos permitiu viver junto a estas pessoas que são parte da gente... parte do sangue, parte da carne, parte das alegrias, parte das tristezas, parte dos projetos, parte dos sonhos, parte da vida... enfim, parte do ser!
      Ser... como ser? Por que ser? Para que ser? Ser por quem? Por eles, pai e mãe? Por eles, os irmãos? Por eles, a família? Ou por mim mesma? Muitas perguntas, não é mesmo? Pois é, assim é a vida, cheia de perguntas, e nós, sempre em busca das respostas... Acredito que somos resultado daquilo que pensamos, daquilo que acreditamos, que veio de parte daquilo que eles, nossos pais nos ensinaram, somado àquilo que achamos ser o melhor para a construção do nosso ser, do nosso eu!
      Agora, digo-lhes: esta que vos escreve, com certeza, é a soma daquilo que recebeu, com aquilo que acredita e mais aquilo que sonha... e que hoje, remexendo no baú de lembranças, recordou daquela que foi e sempre será a essência da minha vida: minha mãe... E neste momento, como diz a poetisa: se me derem licença, vou buscar meus livros de chorar, pois a saudade não cabe nestas linhas mal traçadas...
Por: Rosane Favaretto Lazzarin – 08/01/2012

2 de jan. de 2012

Um brinde à vida!

Adeus ano velho, feliz ano novo, que tudo se realize no ano que vai nascer… Época em que todos entoam esta canção. Mas será que é tão fácil assim se despedir do ano velho? Será que nada ficou para que se resolva no ano que vai nascer? Quantas alegrias vivemos, quantas alegrias os outros nos proporcionaram, quantas nós mesmos proporcionamos!!! Ah, e quantas mágoas e decepções vivenviamos, que nos fizeram vivenciar ou até mesmo que fazemos os outros vivenciar...
Bom momento este para pararmos e analisarmos como tecemos nossa vida em 2011. E neste tecido da vida, quantos pontos deixamos escapar. Quantos destes pontos nem percebemos e quantos fizemos questão de que se fossem mesmo. Talvez seja este o momento de retomar também os pontos deixados para trás, para que o tecido da nossa vida seja completo. Pode ser que este ponto nem queira mais fazer parte da nossa vida. Pode ser que nós mesmos não queiramos que este ponto, que em um determinado momento deixamos para trás, não faça mais parte da nossa vida, pois ele não cabe mais neste tecido, ele destoa. Pois é, ao retomarmos estes pontos deixados para trás, resolvemos muitas coisas que ficaram mal resolvidas, e, por consequência, retomamos o controle da nossa vida!
Como é bom tirarmos as bolinhas que se formam no tecido da vida. Sim, pois muitas vezes são elas, as bolinhas que nos impedem de irmos adiante, de aceitarmos novos desafios, de acreditarmos do nosso potencial, de conseguirmos nos livrar das mágoas e ressentimentos. É urgente que se compre o “removedor de bolinhas”, para que se consiga tecer um 2012 sem deixar pontos para trás, seja os que não percebemos, seja os que fizemos questão de deixar para trás. E, acredito, que este “removedor de bolinhas” do tecido da vida esteja dentro de nós mesmos... Que tal cada um tentar encontrar o seu removedor e iniciar o 2012 sem bolinhas?
Para finalizar, esta que vos escreve, e que também tem ainda muitas bolinhas para remover, mas que também já removeu muitas, quer agradecer a você, ponto deixado para trás sem querer, ponto deixado para trás com a absoluta certeza de querer deixar para trás, e para você que faz parte da forma que teci e teço a minha vida, por fazer parte deste tecido, pois foi convivendo com vocês que são seres únicos, que cresci muito neste ano de 2011. E que venha o 2012, porque este, enfrentaremos com muito mais garra, mais vida, alegrias e tudo que possa nos oferecer de bom. Agora com licença, vou brindar à vida... a minha e a sua!
Por: Rosane Favaretto Lazzarin – 31/12/2011 – 9h de um lindo dia de sol

16 de out. de 2011

Professor: uma composição...


“Nós temos medo e desejo, somos feitos de silêncio e som”, assim diz Lulu Santos em uma de suas belas canções. E quem não o é? Quem diria que ao compor esta música, estaria ele traçando o perfil de milhares, milhões de trabalhadores brasileiros, e por que não seres humanos como um todo? Deter-me-ei, então, em minha profissão. A profissão professor. Aquela que é super constituída de medo e desejo, silêncio e som.
Muitos perguntariam: o professor tem medo de quê? Respondo-lhes, com a voz e a experiência desta profissão, tão pouco reconhecida, e por muitos, não lembrada: o professor tem medo da violência verbal, da violência gestual, da intimidação; tem medo de determinadas atitudes; tem medo do vocabulário inadequado; tem medo da vulgaridade; tem medo de expressões faciais maldosas; têm medo de olhares severos, olhares reprovadores; tem medo de ser hostilizado; tem medo de adoecer em decorrência de tudo isso; enfim, tem medo do medo...
Ah! mas o professor tem desejos! Sonha com estes desejos que possam fazê-lo superar o medo! Desejo de um ambiente saudável; desejo da retomada de valores; desejo de mudança de postura; desejo de carinho; desejo de ser visto de verdade; desejo de ser respeitado de verdade; e principalmente, desejo de ser valorizado e não de dissimuladamente, ser tratado como incompetente; desejo de não adoecer; desejo de ser ouvido; desejo de não ser hostilizado; desejo de condições dignadas de trabalho; desejos, desejo e desejos.... que tem como sinônimo: esperança, esperança e esperança...
E o silêncio? O que nos faz calar? O silêncio é reflexo do medo... este medo que oprime, que constrange... Silenciamos porque por muitas vezes precisamos; silenciamos porque este silêncio também garante nosso sustento. Silenciamos, porque o silêncio também é gentileza, e por muitas vezes, uma poderosa ferramenta para demonstrar a indignação, ou até mesmo para camuflar esta indignação.
Somos feitos de medo, de desejo e de silêncio... mas, felizmente, somos feitos também de som!! Porém, quem é feito de som, nem sempre é bem visto, ou melhor, quase sempre é visto como incomodativo, estressado, alterado... Quem emite o som, aquele som que pede mudanças, que reivindica dignidade, respeito, normalmente não é bem quisto. Muito bem, que não o seja bem quisto por todos, mas que continue emitindo este som, tão necessário em todas as profissões.
Professor, você que é constituído de medo, desejo, silêncio e som, e que ainda gosta de ser professor, receba o respeito e o carinho desta que vos escreve, que é constituída de todos estes sentimentos, que deixa aflorar mais o som, como podem perceber, e que ainda gosta de ser professora, profissão tão nobre quanto tantas outras, porém esquecida por quem mais gostaríamos que lembrassem: a comunidade escolar. Como diz a canção: “tem certas coisas que eu não sei dizer...”.
Por: Rosane Favaretto Lazzarin – 15/10/2011

3 de out. de 2011

A cidade de cimento

 
Movimento, barulhos, sirenes, carros, buzinas, helicópteros, pessoas, pessoas e pessoas... A cidade de cimento é medonha, a cidade de cimento é sinistra, a cidade de cimento é assustadora, a cidade de cimento é intrigante, mas a cidade de cimento também é encantadora, é atrativa, é humana, e satisfaz a todos os gostos. Ela não para nunca. Você tem tudo a toda hora, seja dia, ou seja noite.
Esta cidade de cimento recebe todo tipo de gente todos os dias. E recebeu gente como nós. Alguns curiosos, outros ansiosos, outros ainda encantados e porque não dizer apreensivos ou talvez decepcionados. Muitas reações... sim, porque ela tem esta capacidade, a de despertar muitas reações.
Ao percorrer as ruas de cimento, da cidade de cimento, começo a observar as construções de cimento. O que tem por trás daquelas portas, daquelas paredes de cimento? Quantas vidas se escondem aí? Quanto sofrimento? Quanta alegria? Quantas histórias? As mais diversas, com certeza. E agora esta cidade de cimento, onde também há muito sentimento, passa a fazer parte da minha história, da nossa história!
Quantas belezas/oportunidades a cidade da garoa nos proporciona e que constatamos no nosso itinerário: a imponência do Museu do Ipiranga; a biodiversidade do aquário; o terror e o pânico despertado pelo filme escolhido para ver no cine Imax; a diversão, a adrenalina, a loucura do Hopi Hari; o encantamento das palavras no Museu da Língua Portuguesa; a paixão pelo futebol no Museu do Futebol; a diversidade e interatividade da Fundação Cataventos; a magnitude da Livraria Cultura e a modernidade da Avenida Paulista. Ah! e o espetáculo musical! Este, reservo um parágrafo a parte.
Na cidade de cimento tem emoção, tem Teatro Bradesco, e nele As Bruxas de Eastwick, uma comédia musical de John Dampsey e Dana P. Rowe, com versão brasileira de Claudio Botelho. Um verdadeiro espetáculo, destes de deixar qualquer um com gostinho de quero mais, eu disse qualquer um, todos. E foi assim que ficamos quando acabou o primeiro ato... todos voltaram rapidinho para ver o que o espetáculo, com orquestra ao vivo, tinha ainda para nos oferecer. E tinha ainda mais do que já nos oferecera... uma comédia baseada na história de três amigas entediadas e frustradas com a pacata cidade de Eastwick, que dividem o desejo pelo homem ideal. Com a chegada de Darryl Van Horne à cidade, extremamente sedutor, desperta em cada uma a necessidade de liberar seus “poderes”. O comportamento nada ortodoxo do quarteto escandaliza a cidade... Enfim, Maria Clara Gueiros, Eduardo Galvão, Fafy Siqueira e elenco, dão um show em uma comédia musical, sensual e misteriosa, que fez todo  espectador, inclusive nós,  se deliciar e morrer de rir! Chega, filhote de família Adams!!!
Na cidade de cimento, tem gente cansada... tem gente reclamando... tem gente perguntando... gente andando de metrô... gente machucada... gente perdendo documentos... gente indo para hospital... gente sem sono... gente barulhenta... gente com seu idiomaterno... gente com seu idioma materno e gente com seu idioma terno.... São Paulo é isso... tem gente de todo tipo, gente de todo gosto... gente como nós, como eu, como você!!! Gente que busca viver feliz, que busca ser gente!
Por: Rosane Favaretto Lazzarin - 03/10/2011