23 de ago. de 2012

A efemeridade do tempo...


   
    Tempo, tempo, tempo, tempo, vou lhe fazer um pedido… Tempo… tudo gira em torno dele. O tempo pode ser obsoleto, astronômico, compartilhado, composto, de resolução, de vida, vôo, integral, real, relativo, fabuloso, sideral, simples, verdadeiro, universal! Há quem diga que há um só tempo. Outros preferem dar tempo ao tempo, ou desabar no tempo. Há os que falam de tempo em tempo, em dois tempos, em tempo recorde, o tempo todo, ou fecham o tempo. Bom mesmo é perceber que alguns preferem ganhar tempo, lutar contra o tempo. Outros neste meio tempo matam o tempo e acabam por perder o tempo...
    Já perceberam o quanto precisamos dele? Ou o quanto sofremos quando nos pedem um tempo? Quisera eu que o tempo fosse tão precioso, prazeroso como é para os amantes. Porém para os que resolvem dar um tempo, ele já não é mais visto como prazeroso e sim como angustiante, e é neste momento que muitas perguntas vem a mente: será que não me quer mais? Ou no trabalho, quando nos dão um tempo de experiência, parece que o tempo torna-se mais longo, mais demorado. Isso se dá pelo fato de estarmos ansiosos para sabermos se somos aptos ou não para ocuparmos aquela função. Para quem precisa tomar uma decisão, todo o tempo do mundo do mundo é pouco. E que ironia, só com o tempo saberemos se a decisão foi assertiva ou não. Se foi assertiva, com o tempo vamos melhorando, aprimorando, tomando gosto. Se não, precisamos de mais tempo ainda para reorganizarmos nossa vida, para recomeçarmos.
    E o que falar dos que gostariam de um tempo a mais com quem perdeu? Seja um amor, um amigo, ou até mesmo quem se foi para nunca mais voltar. Para quem perdeu um amor, fica o vazio, fica a dor no coração, para estes o tempo obsoleto. Para quem perdeu um amigo, fica a sensação de que não pode mais confiar em ninguém, para estes o tempo era simples. Para quem perdeu alguém que nunca mais voltará, aí se instala a dor, a saudade, para estes o tempo é real, estes gostariam de ganhar tempo, de lutar contra o tempo. Estes também ficam revoltados com quem matam o tempo e acabam por perder um tempo considerado precioso, mas somente quando se perdem...
    Ah! o tempo... esta coisa efêmera... como queria que ele fosse eterno para algumas coisas... como queria que fosse como as fotografias que podemos eternizar momentos marcantes com pessoas que amamos, como seria bom se assim como eternizamos nas fotografia, pudéssemos eternizá-las também em vida. Certo, você pode estar pensando, eternizamo-las no nosso coração... mas a dor da ausência, nenhum tempo consegue curar, ele só acomoda... Agora, se me derem licença, vou ali acomodar a minha dor porque o tempo não para e a vida... a vida precisa ser vivida, afinal ela e o tempo são relativos.
Por: Rosane Favaretto Lazzarin - Julho/2012

11 de mai. de 2012

Sensações...


     
    Hoje eu estou nas nuvens... mas não no sentido figurado, literalmente nas nuvens... entre as nuvens, se é que me entendem...
   O voo decolou exatamente às 13h05.. a sensação de desconforto é grande, o medo faz suar frio. Também pudera, alguém já parou para pensar na velocidade atingida pelo avião ao decolar? Aposto que poucos, pois o sentimento que toma conta neste momento é de pânico. Calma, não estou generalizando. Falo de exatamente 85% dos usuário de aeronaves. Os outros 15% curtem, sentem adrenalina.
   Mas, voltemos as nuvens... como disse, não no sentido figurado, voltemos aos exato momento em que estávamos literalmente entre elas. Nuvens que parecem algodão... ah, doce de algodão!!! E doce de algodão lembra a infância. Vejam só a quantas lembranças boas nos traz as nuvens. Quando crianças, quantos de nós ficávamos deitados olhando para o céu admirando as inúmeras formas das nuvens. Quantos de nós sonhávamos com a possibilidade de chegar até elas... de tocá-las. Quantos de nós jamais imaginava um dia poder estar sobrevoando-as, e vendo os mais admiráveis formatos, pertinho delas. Ah, que voo inesquecível. Não pelo fato de estar a bordo, mas sim, pelo fato de estar entre as tão admiradas nuvens...
    Quando penso que a única coisa que me separa delas é o pequeno vidro da janela do avião, a emoção toma conta do meu ser, e as lembranças de infância invadem a minha mente. As tardes passadas com os amigos olhando-as, tentando decifrar suas mensagens, os seus formatos... Ah, os amigos de infância... Que saudade!!! As amizades inocentes, verdadeiras. Por onde andam vocês? Foram tantas travessuras... Ah, lembram das nuvens carregadas? O medo era grande, pois sabíamos que delas podíamos esperar desde o espetáculo da chuva até o horror dos raios e trovões.
    Nuvens, quando se está entre elas, um espetáculo a parte. Alguns anos depois, cá estou eu, só depois de muitos voos tensos, é que consigo relaxar e então me permito admirá-las de verdade. Rapidamente, todas aquelas imagens de infância, sonhando em estar perto delas, e naquele momento, achando que era impossível, invadem a memória e então me emociono. Certo, para muitos pode parecer bobagem, mas para quem nem imaginava um dia chegar perto de um avião, muito menos estar dentro dele, agora o estava, e mais, estava também entre as nuvens.
    Hora de descer das nuvens... a viagem está acabando. O comandante avisa para apetar os cintos. Pela primeira vez o sentimento de horror não toma conta de mim, ao invés dele, sinto-me feliz, com muitas recordações na memória... ufa! em terra, mas nas nuvens...
Por: Rosane Favaretto Lazzarin – 11/05/2012 – Curso Mídias

10 de jan. de 2012

O corpo e suas linguagens...



Corpos... oh, que bela crônica daria os corpos, sim porque os temos de todas as formas, de todos os jeitos.. corpos  pequenos, corpos grandes... corpos esguios... E corpos reagem... em determinados momentos o medo pode torná-los frios, já em outros, o desejo torná-los quente... Ah! e podem estar molhados... pela chuva, pelo banho, ou até mesmo pelo suor...  suor de trabalho ou de desejo...
Oh, o desejo! De onde ele vem? Vem não sei de onde, e quando aflorado faz-nos perder a sensatez! Que bom, pois precisamos da insensatez desses momentos, destes gestos espontâneos conduzidos unicamente pelo instinto, pelo desejo... que se resume a uma alquimia de sentidos. E esses sentidos são instigados com os olhares se que cruzam, o coração que dispara, a mãos que se tocam e os lábios que despertam arrepios. E os corpos? Os corpos vão à busca do compasso e da coreografia perfeita. Porque os corpos falam, e falam com uma linguagem própria... E não importa se eles são desconhecidos... pois o desconhecido torna-se um enigma, e este instiga ainda mais... e, em meio a cumplicidade vão encontrando o tom, dando o ritmo perfeito a coreografia.
Ah, voltemos aos corpos, que são o mote desta crônica... Corpos transpiram, suspiram, que transparecem desejos muitas vezes proibidos... corpos que dizem coisas que não ouvimos, mas entendemos... Corpos que se tocam, que se abraçam, que se conhecem de norte a sul... corpos com músculos que se incendeiam... corpos que dançam... o ritmo, o compasso, a coreografia? Cabe ao calor do momento... Qual a linguagem do teu corpo? Não sabe? Pois eu lhe digo: deixa o teu corpo entender-se com outro corpo, porque os corpos se entendem... e você, entenderá exatamente o que estou tentando dizer!
Por: Rosane Favaretto Lazzarin – 10/01/2012

9 de jan. de 2012

Um lugar, uma saudade e muitas lembranças...


     O céu com poucas nuvens, porém o suficiente para ficar observando que forma ela tem, que bicho parecia, assim como fazíamos quando criança. O pé de guabijú cresceu. E nele já se pode pendurar um balanço que faz a alegria de uma netinha ou uma rede, que faz a alegria dela e também dos filhos. Ah e sem contar que faz uma sombra maravilhosa, onde os pássaros pousam e entoam lindas canções, e a família se reúne para tomar um chimarrão ou até mesmo conversar... e junto a tudo isso, deitada aqui nesta rede, muitas recordações...
      Explico-lhes: hoje estou na casa de meu irmão, que já foi minha, de minha mãe... um lugar lindo, calmo, bem cuidado e cheio, cheio de maravilhosas recordações. Foi neste lugar que cresci, que vivi, que me fez ser gente grande...
      Lugar com cheiro de mãe, com jeito de mãe... e se com cheiro e jeito de mãe, então, um lugar que também cheira a amor, e muita, muita saudade. Pois é, saudade dela que se foi, mas que deixou muitos ensinamentos, que deixou muitos exemplos. E é por tudo isso que hoje também é um dia nostálgico.
      Nostálgico porque ao deitar na rede a sombra destas árvores, lembro-me do quando foi bom ser criança neste lugar. Lembro-me do bolo de amendoim... e ao lembrar dele, parece que o cheiro já está toma conta das narinas, chegando a dar água na boca, aumentando ainda mais a saudade. E por falar em água na boca, a mesma sensação temos ao lembrarmos-nos das comidas, que delícia! Todas saborosas! Hoje nos perguntamos que tempero era aquele e constatamos que era o mais nobre de todos: o amor. Lembro-me do sorriso e os braços abertos para receber a todos com muito carinho. Lembro-me de sua voz dizendo: que bom que vocês vieram, e esta soa como música aos meus ouvidos... São tantas lembranças que estas parecem querer saltar sei lá de onde e invadir novamente este tempo... e tornarem-se realidade novamente, de tão fortes que são, e tamanha é a saudade sentida....
      São tantas recordações que chegam até fugirem da memória momentaneamente para que eu não as prenda no papel, pois parecem querer ficarem livres por aí, para em outro momento, como este, retornarem a nossa memória, para que recordemos tudo que passamos juntas, e não as esqueçamos... Não se preocupe, jamais esqueceremos, por mais que o tempo passe...
      Somente o tempo pode acomodar esta saudade, sim acomodar e não fazer esquecer quando uma mãe vai embora para viver sei lá onde, sei lá com quem, e sei lá por quê... Esse mesmo tempo que é injusto por tirar o que amamos passa a ser justo quando recordamos dos bons momentos que nos permitiu viver junto a estas pessoas que são parte da gente... parte do sangue, parte da carne, parte das alegrias, parte das tristezas, parte dos projetos, parte dos sonhos, parte da vida... enfim, parte do ser!
      Ser... como ser? Por que ser? Para que ser? Ser por quem? Por eles, pai e mãe? Por eles, os irmãos? Por eles, a família? Ou por mim mesma? Muitas perguntas, não é mesmo? Pois é, assim é a vida, cheia de perguntas, e nós, sempre em busca das respostas... Acredito que somos resultado daquilo que pensamos, daquilo que acreditamos, que veio de parte daquilo que eles, nossos pais nos ensinaram, somado àquilo que achamos ser o melhor para a construção do nosso ser, do nosso eu!
      Agora, digo-lhes: esta que vos escreve, com certeza, é a soma daquilo que recebeu, com aquilo que acredita e mais aquilo que sonha... e que hoje, remexendo no baú de lembranças, recordou daquela que foi e sempre será a essência da minha vida: minha mãe... E neste momento, como diz a poetisa: se me derem licença, vou buscar meus livros de chorar, pois a saudade não cabe nestas linhas mal traçadas...
Por: Rosane Favaretto Lazzarin – 08/01/2012

2 de jan. de 2012

Um brinde à vida!

Adeus ano velho, feliz ano novo, que tudo se realize no ano que vai nascer… Época em que todos entoam esta canção. Mas será que é tão fácil assim se despedir do ano velho? Será que nada ficou para que se resolva no ano que vai nascer? Quantas alegrias vivemos, quantas alegrias os outros nos proporcionaram, quantas nós mesmos proporcionamos!!! Ah, e quantas mágoas e decepções vivenviamos, que nos fizeram vivenciar ou até mesmo que fazemos os outros vivenciar...
Bom momento este para pararmos e analisarmos como tecemos nossa vida em 2011. E neste tecido da vida, quantos pontos deixamos escapar. Quantos destes pontos nem percebemos e quantos fizemos questão de que se fossem mesmo. Talvez seja este o momento de retomar também os pontos deixados para trás, para que o tecido da nossa vida seja completo. Pode ser que este ponto nem queira mais fazer parte da nossa vida. Pode ser que nós mesmos não queiramos que este ponto, que em um determinado momento deixamos para trás, não faça mais parte da nossa vida, pois ele não cabe mais neste tecido, ele destoa. Pois é, ao retomarmos estes pontos deixados para trás, resolvemos muitas coisas que ficaram mal resolvidas, e, por consequência, retomamos o controle da nossa vida!
Como é bom tirarmos as bolinhas que se formam no tecido da vida. Sim, pois muitas vezes são elas, as bolinhas que nos impedem de irmos adiante, de aceitarmos novos desafios, de acreditarmos do nosso potencial, de conseguirmos nos livrar das mágoas e ressentimentos. É urgente que se compre o “removedor de bolinhas”, para que se consiga tecer um 2012 sem deixar pontos para trás, seja os que não percebemos, seja os que fizemos questão de deixar para trás. E, acredito, que este “removedor de bolinhas” do tecido da vida esteja dentro de nós mesmos... Que tal cada um tentar encontrar o seu removedor e iniciar o 2012 sem bolinhas?
Para finalizar, esta que vos escreve, e que também tem ainda muitas bolinhas para remover, mas que também já removeu muitas, quer agradecer a você, ponto deixado para trás sem querer, ponto deixado para trás com a absoluta certeza de querer deixar para trás, e para você que faz parte da forma que teci e teço a minha vida, por fazer parte deste tecido, pois foi convivendo com vocês que são seres únicos, que cresci muito neste ano de 2011. E que venha o 2012, porque este, enfrentaremos com muito mais garra, mais vida, alegrias e tudo que possa nos oferecer de bom. Agora com licença, vou brindar à vida... a minha e a sua!
Por: Rosane Favaretto Lazzarin – 31/12/2011 – 9h de um lindo dia de sol

16 de out. de 2011

Professor: uma composição...


“Nós temos medo e desejo, somos feitos de silêncio e som”, assim diz Lulu Santos em uma de suas belas canções. E quem não o é? Quem diria que ao compor esta música, estaria ele traçando o perfil de milhares, milhões de trabalhadores brasileiros, e por que não seres humanos como um todo? Deter-me-ei, então, em minha profissão. A profissão professor. Aquela que é super constituída de medo e desejo, silêncio e som.
Muitos perguntariam: o professor tem medo de quê? Respondo-lhes, com a voz e a experiência desta profissão, tão pouco reconhecida, e por muitos, não lembrada: o professor tem medo da violência verbal, da violência gestual, da intimidação; tem medo de determinadas atitudes; tem medo do vocabulário inadequado; tem medo da vulgaridade; tem medo de expressões faciais maldosas; têm medo de olhares severos, olhares reprovadores; tem medo de ser hostilizado; tem medo de adoecer em decorrência de tudo isso; enfim, tem medo do medo...
Ah! mas o professor tem desejos! Sonha com estes desejos que possam fazê-lo superar o medo! Desejo de um ambiente saudável; desejo da retomada de valores; desejo de mudança de postura; desejo de carinho; desejo de ser visto de verdade; desejo de ser respeitado de verdade; e principalmente, desejo de ser valorizado e não de dissimuladamente, ser tratado como incompetente; desejo de não adoecer; desejo de ser ouvido; desejo de não ser hostilizado; desejo de condições dignadas de trabalho; desejos, desejo e desejos.... que tem como sinônimo: esperança, esperança e esperança...
E o silêncio? O que nos faz calar? O silêncio é reflexo do medo... este medo que oprime, que constrange... Silenciamos porque por muitas vezes precisamos; silenciamos porque este silêncio também garante nosso sustento. Silenciamos, porque o silêncio também é gentileza, e por muitas vezes, uma poderosa ferramenta para demonstrar a indignação, ou até mesmo para camuflar esta indignação.
Somos feitos de medo, de desejo e de silêncio... mas, felizmente, somos feitos também de som!! Porém, quem é feito de som, nem sempre é bem visto, ou melhor, quase sempre é visto como incomodativo, estressado, alterado... Quem emite o som, aquele som que pede mudanças, que reivindica dignidade, respeito, normalmente não é bem quisto. Muito bem, que não o seja bem quisto por todos, mas que continue emitindo este som, tão necessário em todas as profissões.
Professor, você que é constituído de medo, desejo, silêncio e som, e que ainda gosta de ser professor, receba o respeito e o carinho desta que vos escreve, que é constituída de todos estes sentimentos, que deixa aflorar mais o som, como podem perceber, e que ainda gosta de ser professora, profissão tão nobre quanto tantas outras, porém esquecida por quem mais gostaríamos que lembrassem: a comunidade escolar. Como diz a canção: “tem certas coisas que eu não sei dizer...”.
Por: Rosane Favaretto Lazzarin – 15/10/2011

3 de out. de 2011

A cidade de cimento

 
Movimento, barulhos, sirenes, carros, buzinas, helicópteros, pessoas, pessoas e pessoas... A cidade de cimento é medonha, a cidade de cimento é sinistra, a cidade de cimento é assustadora, a cidade de cimento é intrigante, mas a cidade de cimento também é encantadora, é atrativa, é humana, e satisfaz a todos os gostos. Ela não para nunca. Você tem tudo a toda hora, seja dia, ou seja noite.
Esta cidade de cimento recebe todo tipo de gente todos os dias. E recebeu gente como nós. Alguns curiosos, outros ansiosos, outros ainda encantados e porque não dizer apreensivos ou talvez decepcionados. Muitas reações... sim, porque ela tem esta capacidade, a de despertar muitas reações.
Ao percorrer as ruas de cimento, da cidade de cimento, começo a observar as construções de cimento. O que tem por trás daquelas portas, daquelas paredes de cimento? Quantas vidas se escondem aí? Quanto sofrimento? Quanta alegria? Quantas histórias? As mais diversas, com certeza. E agora esta cidade de cimento, onde também há muito sentimento, passa a fazer parte da minha história, da nossa história!
Quantas belezas/oportunidades a cidade da garoa nos proporciona e que constatamos no nosso itinerário: a imponência do Museu do Ipiranga; a biodiversidade do aquário; o terror e o pânico despertado pelo filme escolhido para ver no cine Imax; a diversão, a adrenalina, a loucura do Hopi Hari; o encantamento das palavras no Museu da Língua Portuguesa; a paixão pelo futebol no Museu do Futebol; a diversidade e interatividade da Fundação Cataventos; a magnitude da Livraria Cultura e a modernidade da Avenida Paulista. Ah! e o espetáculo musical! Este, reservo um parágrafo a parte.
Na cidade de cimento tem emoção, tem Teatro Bradesco, e nele As Bruxas de Eastwick, uma comédia musical de John Dampsey e Dana P. Rowe, com versão brasileira de Claudio Botelho. Um verdadeiro espetáculo, destes de deixar qualquer um com gostinho de quero mais, eu disse qualquer um, todos. E foi assim que ficamos quando acabou o primeiro ato... todos voltaram rapidinho para ver o que o espetáculo, com orquestra ao vivo, tinha ainda para nos oferecer. E tinha ainda mais do que já nos oferecera... uma comédia baseada na história de três amigas entediadas e frustradas com a pacata cidade de Eastwick, que dividem o desejo pelo homem ideal. Com a chegada de Darryl Van Horne à cidade, extremamente sedutor, desperta em cada uma a necessidade de liberar seus “poderes”. O comportamento nada ortodoxo do quarteto escandaliza a cidade... Enfim, Maria Clara Gueiros, Eduardo Galvão, Fafy Siqueira e elenco, dão um show em uma comédia musical, sensual e misteriosa, que fez todo  espectador, inclusive nós,  se deliciar e morrer de rir! Chega, filhote de família Adams!!!
Na cidade de cimento, tem gente cansada... tem gente reclamando... tem gente perguntando... gente andando de metrô... gente machucada... gente perdendo documentos... gente indo para hospital... gente sem sono... gente barulhenta... gente com seu idiomaterno... gente com seu idioma materno e gente com seu idioma terno.... São Paulo é isso... tem gente de todo tipo, gente de todo gosto... gente como nós, como eu, como você!!! Gente que busca viver feliz, que busca ser gente!
Por: Rosane Favaretto Lazzarin - 03/10/2011

8 de set. de 2011

Quando você se sente pela metade...


O ser humano nasceu para se sentir inteiro, completo. Não foi ensinado a se sentir pela metade. E lhes digo, sentir-se pela metade dói.  Mas, quando nos sentimos pela metade? O que nos faz sentir pela metade? E mais, quantas pessoas nós já fizemos se sentirem pela metade? E... será que somos capazes de sentir pela metade? Questionamentos no mínimo intrigantes, não acham?
Buscamos a plenitude em nossa vida, e isso é fato. Queremos viver intensamente, carpe diem! Tentamos curtir ao máximo. Trabalhamos muito porque almejamos grandes conquistas. Lutamos para existir, simplesmente. Porém, para tudo isso, faz-se necessário muito empenho, e também contar com os outros. Pois é, os outros... aí nos angustiamos um pouco, porque nem sempre os outros estão dispostos a contribuir. Então, vem o primeiro sentir-se pela metade. Sentimo-nos pela metade porque projetamos uma expectativa no outro, que nem sempre a encontramos; e principalmente, porque não estávamos preparados para a não correspondência desta expectativa. Esse sentir-se pela metade, chamo de frustração.
E sabem por que nos frustramos facilmente?  Porque ao  projetarmos nossas expectativas nos outros, não nos damos conta de que os outros não são iguais a nós. Que cada outro tem a sua potencialidade, que cada outro é um ser único.  É impressionante como conseguimos facilmente nos sentirmos pela metade. Sim, facilmente. Vejam: brigar com os pais, com um amigo, ou amiga; ser ignorada ou criticada; falta de ética; falta de cuidado; falta de bom senso; falta de paciência; o olhar, o falar e o agir fingidor... enfim, são inúmeras as possibilidades que podem nos fazer sentir pela metade.
É certo que é muito mais fácil falar do que nos faz sentir pela metade. Agora, você já se perguntou quantas vezes fez alguém se sentir pela metade? Aposto que poucas, ou nenhuma. Claro, é mais fácil ser a vítima, ou mártir. É mais cômodo também. Imagina, ninguém quer sentir-se culpado por fazer alguém sofrer, se sentir diminuído... E o pior de tudo é que essas pessoas costumam dizer que tomam tais atitudes para o bem do outro. Não se dão conta de que aos poucos, a conta gotas, matam a vivacidade, a vontade de fazer, que o outro ser, ainda possui. Fazer o outro se sentir pela metade, é especialidade de muitos. E é por tudo isso que também não vemos mais pessoas tomando iniciativas, fazendo a diferença... Podem até estar pensando: “ah, mas se quiser mesmo, faz!”. Digo-lhes que não é bem assim. E vocês sabem que não é mesmo. Na verdade, o ideal seria que as pessoas pudessem perceber o mal que cometem e parassem para pensar um pouco, antes de fazer os outros se sentirem pela metade... Mas, como o ideal não existe, ficamos cá sonhando com ele.
Mas, e a possibilidade de sentir pela metade? Você consegue amar pela metade? Bom, essas últimas indagações são difíceis de responder, porque esta que vos escreve, que é perfeccionista, que vive tudo intensamente, e que por isso, nem sempre é bem interpretada, e sim por diversas vezes é vista como ansiosa, como mal-humorada... sofre  por sentir-se diariamente pela metade... Triste sentimento de quem se cobra demais... Mas, posso lhes garantir, que jamais conseguiria sentir pela metade... Agora, se me derem licença, vou garimpar minha outra metade....
Por: Rosane Favaretto Lazzarin – 07/09/2011

7 de ago. de 2011

Espaços...


Sempre que me perguntam sobre espaço, fico imaginando que espaço é esse...  Se estiver falando da minha casa, do meu cantinho, então, este espaço é meu e não se discute. Agora, se estivermos falando do espaço de trabalho, aí, o espaço não é mais meu, faço parte do espaço. Então fico a me questionar novamente: o que faz as pessoas pensarem que são donas do espaço? Será que não conseguem se desligar do espaço casa? Será que fazem o trabalho uma extensão de sua casa? Que o ser humano é possessivo todos nós sabemos. Mas, até que ponto posso me adonar de um espaço no trabalho? Ser responsável por um espaço, não significa ser dono dele. Precisa sim zelar, cuidar, organizar, sentir-se bem no ambiente de trabalho. Porém, isso não é o suficiente. Precisa-se também zelar, cuidar e fazer sentir bem quem trabalha neste mesmo ambiente que você, seu colegas de trabalho. Quando eu falo fazer sentir bem, não significa que temos que ser amigo de todos, significa usar de profissionalismo com todos.
Precisa-se urgentemente de pessoas delicadas, de pessoas que saibam lidar com pessoas, de pessoas como diz minha diretora “de fino trato”, de pessoas que saibam separar, ou pelo menos tentar separar, o pessoal do profissional. Enfim, precisa-se de profissionais que não tenham medo de ensinar o que sabem, por achar que o seu colega pode ser melhor do que você; ou será que o medo é que o seu colega já seja melhor do que você?
Voltemos aos espaços. Preciso de um lugar onde eu possa desenvolver meu trabalho tranquilamente, um lugar onde o responsável do espaço viabilize o meu trabalho e não se torne empecilho. Pessoas que se adonam dos espaços se tornam empecilhos. Não se dão conta de que está aí para viabilizar que as coisas aconteçam, e não para simplesmente ocuparem um lugar. Será que não se dão conta que se classificadas como somente ocupar um lugar, automaticamente são classificadas como espaçosas? Muitas pensam que ocupar um cargo lhes dá visibilidade profissional. Nem sempre, pois se você não souber desempenhar sua função, ao invés de se promover, está assinando seu atestado de incompetência. Sim, incompetência, porque se não desenvolver um bom trabalho, todos perceberão e assim, ganhará o título de incompetente. E este título, ninguém quer no seu currículo.
Precisa-se urgentemente de profissionais que veem além de sua mesa. Profissionais atuantes. Profissionais que atendam as expectativas das pessoas que estão gerenciando. Um responsável que trabalha em um espaço com os mais diversos tipos de pessoas, precisa primeiro atender aos interesses das pessoas que ocupam este espaço, ou seja, do grupo, para depois atender o particular. Profissionais ocupam o espaço como responsável, inseguros ocupam o espaço com adonamento. Precisa-se de profissionais que te convidam a entrar no seu espaço e não que te deixam intimidados porque não sabe como será tratado. Precisa-se de profissionais que tratam os outros profissionais com igualdade. Não falo aqui de igualdade no que se refere a regras, falo em igualdade de gentileza, de simpatia, de receptividade.
E você, ocupa o espaço que trabalha como responsável, viabilizando o trabalho do grupo ou se adona do lugar? Hora de pensar nisso, pois o mercado de trabalho, hoje, precisa de profissionais responsáveis e não de pessoas que se adonam de espaços, inviabilizando que o processo aconteça. E nestes espaços, sejamos delicados, urgentemente delicados...
Por: Rosane Favaretto Lazzarin – 09/06/2011

22 de jul. de 2011

Assombrações coloridas...


E se... e, conjunção coordenativa aditiva... se, conjunção subordinativa condicional... Ambas se colocadas separadas, não tem significado nenhum, mas juntas tornam-se uma incógnita. Vejam: e se... eu tivesse feito de forma diferente? E se... eu não julgasse? E se... eu me permitisse viver?
Viver... Dentro de cada um de nós existem encruzilhadas, engarrafamentos, sirenes... Isso mesmo, dentro de cada um existe o caos... muitas vezes mal sabemos que caminho seguir, que sirene ouvir, como fugir do engarrafamento... Complicado não é mesmo? Pois é, quando me perguntam que parte da vida é complicada, eu prontamente respondo: a vida é a parte complicada... Mas será? Será que a vida é que é complicada, ou somos nós quem a complicamos?
Talvez nem tenhamos a intenção de complicá-la... Talvez seja uma forma de acomodar o caos. Talvez seja um segredo inconfessável... e que segredo seria este? Este segredo inconfessável, que eu, você, e todos nós temos chama-se MEDO. É ele, o medo que nos bloqueia, que nos impede de escolher o caminho certo na encruzilhada, que nos impede de enfrentar o engarrafamento e que nos impede de ouvir a sirene de alerta... a sirene que nos acorda para a vida, aquela que nos dá a permissão de viver.
E se... olha só, lá vem a incógnita novamente... e se... o medo fosse só um estado de espírito? E se... nós conseguíssemos chutar o medo bem onde dói? E se... nós conseguíssemos sempre encará-lo de frente? São tantas perguntas não é mesmo? E essas perguntas sem respostas se tornam assombrações. Isso mesmo, assombrações. O bom dessas assombrações é que elas são coloridas. E se... essas assombrações tivessem uma forma, que forma, ou que cor elas teriam? Bom, aí eu lhes digo que depende dos olhos de quem as veem.
Uns podem ver a vida azeda. Para estes, todas as pessoas que estão próximas estão de mau-humor, tem problemas. Para estes, preocupação é mau-humor. Para estes, fica mais fácil transferir o que está sentindo para o outro. Para estes a vida é tecida com um fio da cor preta. Para estes a vida é o caos, é a escuridão.
Outros podem ver a vida doce. Para estes, um dos maiores prazeres da vida é alguém pentear os seus cabelos. Um gesto simples, porém acalentador. Para estes prevalece o cuidar onde dói ou o que fez doer. Para estes, o medo é um estado de espírito. Para estes a vida é tecida com fios da cor branca e vermelha. Sim, com fios cheios de calma, pureza, paixão e sentimento.
Entre uns e outros... sou mais dos outros, porque para estes a vida é um cartão tecido com fios de vida, com fios de amor... e quando falamos de amor, todos os uns são apenas uns... Divaguei? Quem sabe... mas lhes digo: o medo, a incompreensão nos deixa exatamente assim: sem rumo... Agora, se me derem licença, esta que vos escreve, e que gosta de pessoas, e pessoas sinceras, com luz própria, vai procurar alguém para pentear seus cabelos e se... permitir viver...

Por: Rosane Favaretto Lazzarin – 22/07/2011